sexta-feira, agosto 26, 2016

É possível fazer tops de tudo?

Há dias um colega de trabalho lançava-me o desafio de fazer a lista dos 10 melhores filmes da minha vida. Ora bolas, que raio de coisa, uma lista de uma vida (já com 43 anos) reduzida a 10 entradas?
Respondi-lhe logo que era impossível, mas jamais deixei de pensar nisso nas horas vagas.
Volta e meia passava por ele e dizia-lhe, o "Citizen Kane" tem de entrar, e ele logo concordava que esse seria o número 1, dias depois informava-o de que o Magnolia teria de estar lá e ele respondia-me com um nariz retorcido e olhar de reprovação "a sério?" (tudo porque ele não sabe o quanto bebi do filme fora dele - a banda sonora genial, tudo o que o filme não nos diz, mas deixa saber)
A Vida de Brian também teria lugar cativo, mas a partir deste ponto torna-se quase impossivel avançar (perdao, o teclado avariou e perdeu os acentos). Ha (continua avariado) os filmes que estranhamente nao vi (Platoon, Padrinho - todos), os que nao recordo assim de repente e uma incapacidade tremenda para decidir. Por exemplo, vi o Dancer in the Dark e achei tao forte e bom que nao quis ver mais; o Exorcista que me meteu tanto medo que ainda hoje nao quero rever - deve ser sinal de que e optimo). Ha sete lugares por preencher e a certeza de que se avançar com a lista, vou ate duvidar dos que fixei atras. Assim, fica o desafio ao meu leitor (imagino que ainda haja alguem a passar aqui de vez em quando). Faz ai a tua lista. E quem sabe eu ganho coragem para fazer a minha...

sábado, junho 04, 2016

Cassius Clay, Muhammad Ali, o boxe, a vida e a palavra

Cassius Clay, que veio a ser Muhammad Ali, foi campeão de boxe por acaso: por lhe roubarem a bicicleta, cruzou-se com o homem que viria a iniciá-lo na modalidade e a treiná-lo. Na vida de todos os homens, há circunstâncias que os fazem seguir um ou outro caminho e em todas somos pequenos de mais para perceber o que lá vem ou o porquê de algo seguir um rumo e não outro.
O boxe é, além de um desporto incrível - que não sigo, admito, mas com o qual acabo sempre por vibrar - talvez o maior viveiro de grandes histórias. Por ser propício à mitificação? Por apaixonar talentosos e criativos escritores? Seja como for, Ali (e Foreman e Frazier, e... e...) vai sempre viver como "o maior". Porque é esse o poder da escrita, é esse o poder da palavra.

quarta-feira, junho 01, 2016

Uma ida ao endireita

Lesionado, com dores no calcanhar de mal correr, já a desesperar por não conseguir voltar aos treinos - e já agora por continuar com dores - resolvi recorrer às (não) medicinas alternativas.

Já me tinham falado da Dona Luísa, que atende ali para os lados da Venda Nova, e que é aquilo a que em bom português se chama uma endireita. Tem anos de história(s), é visitada por gente de todo o Mundo e com meia dúzia de movimentos já pôs bem o meu mecânico e o filho de uma amiga.

Depois de já ter ido a um osteopata - que são endireitas com estudos - e de ter gostado, resolvi dar uma oportunidade à Dona Luísa.

Disseram-me que tinha de telefonar-lhe logo de manhã bem cedo para conseguir vaga. Liguei, mas não fui rápido o suficiente. O telefone dava impedido ou nem conseguia ligação. Tentei já pelas 9.15 e aí sim fui atendido.

- Bom dia, aqui fala a Tia Luísa (dizem-me do outro lado, num sotaque alentejano simpático)
- Bom dia, eu sou o Bartlomeu e disseram-me para lhe ligar cedo.

- Oiça com atenção o que lhe vai dizer a tia Luísa. Nós começamos a trabalhar às 13 e acabamos às 16. Distribuimos 20 senhas todos os dias e depois, às 16, o meu neto vai à porta e chama até às 17 as pessoas que estão sem senhas, por ordem de chegada.

A lógica da coisa, já me tinham dito, é que não há preço pelos serviços. Tão só, cada um paga aquilo que pode e entende dever pagar.

Pelas 15.40 lá me fiz à morada que me deu. Lá chegado deparei-me com uma porta aberta a dar para um mini corredor com quatro cadeiras de cada lado. Tudo antigo, zero de luxos. Havia uma senhora à minha frente (seria o segundo, portanto) e logo depois chegou uma outra que parecia muito atacada por dores (não percebi se no peito, se numa mão se, até, de torcicolo).

Esperei a vez, ouvi a história de uma endireita em Alverca para a qual era-preciso-ir-quase-de-véspera-e-ainda-se-pagava-40-euros-mas-que-era-muito-boa.

Confesso que senti um frio no estômago. Afinal, a osteopatia é coisa séria (tão séria que a Austrália está a pedir imigrantes que sejam osteopatas) e sabendo eu que ali iria encontrar algo parecido, tendo eu as melhores referências positivas, não deixava de pensar que podia estar a fazer um enorme disparate.

Chegou a minha vez e com enorme simpatia o neto da Tia Luísa veio à porta. Entrei para uma sala igual a uma sala de estar de uma tia, com um sofá, umas cadeiras, algum material. A Tia Luísa disse-me: caro Bartlomeu, vai contar ao meu neto as suas queixas e a Tia Luísa vai estar aqui a ouvir.

Lá lhe expliquei o que sentia, o que tive no passado - e bem, porque entretanto li sobre o assunto e já tinha feito fisioterapia ao outro pé. Senti confiança quando me começaram a fazer perguntas sobre fascite, esporão de calcâneo e tendinites  - afinal, sabia que seria algo do género a provocar-me as dores.

Ao fim de dois ou três toques do neto no pé direito, o diagnóstico: vários ossos e ligamentos fora do lugar, o que levava a mau apoio do pé e, por consequência, a encontrar posições defensivas que tudo pioravam. Passagem de dedos pelos ossos afectados, alguma força, ligeira dor suportável. No final, a olho nu até eu via que a configuração do tornozelo estava diferente.

Operação repetida no outro pé, este em melhor estado, lá me disseram, e uma série de conselhos escritos para tentar resolver o problema que ali não era curável (a tendinite).

Saí pelo meu pé, com a sensação de estar com apoio diferente do pé, mas sem certezas de ter resolvido o problema. A verdade é que quando recorri a um osteopata, também demorei uma semana a sentir resultados e andei desconfiado de ter deitado dinheiro à rua - para, com alguma surpresa, constatar semanas depois que afinal de contas aquilo tinha resultado.


domingo, abril 24, 2016

Da má onda de Caetano e do Gil

Chega-me um email com o título:

Caetano Veloso e Gilberto Gil esgotam 4 concertos em Portugal
Dou por mim a pensar:

Espero que um deles não tenha sido o dos The Cure, que ainda não comprei bilhete.

PS: Já agora, devem ter gastado um dinheirão! Espero que sejam presos se tentarem vender os bilhetes mais caros!

sábado, outubro 24, 2015

Os partidos, essa religião

Numa página de Facebook de Hermínio Loureiro, um destacado social-democrata - ex-secretário de Estado - li críticas a Pacheco Pereira. 

"Ouvi na Rádio Renascença a entrevista de Pacheco Pereira sobre o discurso de Cavaco Silva.
Miserável a intervenção de um dos que mais comeu no prato político do então Primeiro-Ministro Cavaco Silva.
Tudo tem os seus limites...
Pacheco Pereira, sempre a representar o PSD, destila ódio em todas as intervenções..."

Note-se que na dinâmica partidária come-se de pratos políticos. Sem tirar nem pôr. Come-se de pratos políticos! E como se come em pratos políticos, se ousarmos ter sentido crítico somos miseráveis.

Os comentários à coisa sucedem-se. Fala-se de expulsão do partido:
"Caro Dr., o Sr. Pacheco Pereira ainda é militante do PSD? Se o é já há muito tempo o partido deveria abrir um processo disciplinar para a respetiva expulsão do partido?"


Assustador, no entanto, é o que se segue. Num comentário:

"Artº 7º, nº 1, al. f), dos Estatutos do PSD - "Ser leal ao Programa, Estatutos e diretrizes do Partido, bem como aos seus Regulamentos;"... É preciso dizer mais alguma coisa????"

Ou seja, se há coisa em que os partidos - supostos baluartes da democracia - começam por ser, no seu interior, o pináculo da ditadura.

E depois admiramo-nos (quem?) que o país esteja como está...

sábado, setembro 12, 2015

Os filhos e o futebol

Foi uma decisão tomada em conjunto e que me parece sensata: em momento algum diríamos aos nossos filhos para serem do clube A ou B. A coisa é tanto mais importante quanto que eu e ela eramos (e continuamos a ser) apoiantes de clubes diferentes.

Ora, o facto de eu ser do Belenenses e ela do Benfica gerou alguns dissabores durante a noite, sobretudo porque os nossos clubes se defrontaram (não foi bem assim, que o meu não compareceu ao jogo e mandou apenas uns rapazes com a camisola vestida e acabou a levar 6-0) e eu, imbuído pelo espírito que nos últimos tempos me levou a ir até aos estádios para o miúdo ver futebol ao vivo  - e para fazer coisas com ele - levei-o. Antes tinha-o levado ao Belenenses-Rio Ave, ao Belenenses-Altach e ao Portugal-França. Como também viu um treino da Seleção no Estoril, ficava com o pleno dos estádios de I Liga em Lisboa.

Posto isto, percebi hoje que para os dois é importante que o nosso filho seja adepto do nosso clube. Ou melhor, percebi que para ela era importante que o nosso filho fosse do Benfica, porque já antes eu sabia como o queria azul.

Facto: o nosso filho há já bastante tempo diz ser do Belenenses. Teve ali um período em que se assumiu benfiquista, mas pouco depois voltou a ser belenense. Estou convencido que tal tem a ver com o facto de eu - pai - ser do Belenenses. E sê-lo com firmeza. No período em que ele me disse ser benfiquista, eu nunca lhe disse algo como "não devias", ou "volta a ser do Belenenses" ou "o Belenenses é melhor que o Benfica" ou até "o Belenenses ganha sempre ao Benfica". Não o fiz porque intimamente assumi o compromisso de o deixar ser do que ele quiser - e até quero que sendo ele Belém goste de futebol sem fanatismos. Sempre que ele me disse: "sou do Benfica, tu também podes ser, pai?" ou "sou do Benfica e tu também gostas do Benfica, não é, pai?" limitei-me a responder: não! Eu sou do Belenenses, só do Belenenses.

Não lhe menti. Eu sou, efectivamente, só do Belenenses. E sou-o com firmeza, sem fanatismos ou cegueiras. Da mesma forma que lho disse, acrescentei sempre: eu sou do Belenenses e a tua mãe é do Benfica. E o meu pai é do Belenenses e o pai dela do Benfica.

Sempre lhe pus, então, as cartas na mesa. Ele sabia - sempre soube - perfeitamente onde se movimentava. E a verdade é que com o passar do tempo passou a dizer-se unicamente do Belenenses, ainda que vá dizendo "o Benfica é amigo do Belenenses", algo que, presumo, lhe terá sido dito por alguém ou então que ele tenha construído de modo a não ter, na sua cabeça, pai e mãe em facções opostas. Adiante...

Ora, o problema que se coloca é que ontem, durante o jogo, fui trocando sms com a mãe dele, a relatar-lhe o que o filho ia dizendo no Estádio da Luz. Comecei por contar como ele sorriu, extasiado, com o voo da águia; depois como chorou "baba e ranho" no primeiro golo do Benfica, logo aos 5 minutos, e como peguei nele ao colo e o consolei, dizendo-lhe que faltava muito tempo, que o jogo estava longe de acabar e que quando se sofre um golo se deve ir à luta e tentar marcar dois, que não se desiste, e que não é preciso chorar. Contei depois que voltou a chorar no 2-0, que ele me disse que o Belém ia perder. E contei que, sabendo eu que ele gosta do Jonas, lhe disse que o Jonas tinha marcado, o que o levou a celebrar. Contei também que ele, aí, me disse: O Belém ainda pode marcar quatro, ou doze. Contei a seguir que ao 3-0 ele me disse que queria ir para casa, porque havia muito barulho, mas que o tinha acalmado com queijadas de Sintra. Ao 4-0, ele desabafou comigo "o estádio do Benfica é um horror, só o Benfica marca golos", ao 5-0 mandei uma fotografia dele a chorar e ao 6-0 apenas que nos íamos embora (ele chorava desesperado e dizia: "o Belenenses está descontrolado") e que quando chegámos cá fora fizemos uma corrida e ele se desmanchou a rir.

Ao chegar a casa, a tensão continuava no ar. E a minha mulher acabou por assumir que gostaria que o filho simpatizasse com o Benfica - parece-me natural - e que eu a forçava a ser imparcial enquanto eu próprio não era. Parem lá as rotativas!!! Isto requer reflexão...

Pus-me então a pensar na coisa e até fiquei a achar que um pai tem todo o direito de tentar que o filho seja do seu clube. Infelizmente, muitas vezes na vida, pai e filho (rapaz) ficam com pouco para conversar e o clube une-os. A rotina de irem ao futebol substitui as conversas que por vezes não conseguem ter. A coisa funciona numa base de "a mãe é a minha melhor amiga", mas contigo vou ao futebol. Nunca é ao contrário... (e claro que este "nunca" é hiperbolizado, pois há casos assim, ainda que menos que o inverso). Talvez haja algo na masculinidade que sai ferido quando o filho é de outro clube - talvez seja o medo de no futuro não ter o que falar com ele... (e no entanto não tento, eu, manipular)

Perdoem-me a extensão deste post, mas depois de pensar tudo isto concluí duas coisas: primeiro que um pai (e uma mãe) não deve(m) de facto tentar fazer de um filho adepto do seu clube (por mais que o desejem e por mais que possam); a segunda - e porque refleti com honestidade sobre o assunto - que acredito nunca ter feito algo deliberadamente para o miúdo ser do Belenenses.

As únicas coisas que fiz foram, quando ele se assumiu belenense, levá-lo ao futebol e comprar-lhe uma camisola. Sentindo-o belenense, faria sentido continuar a agir com imparcialidade, como se ele fosse um indigente mental incapaz de decidir para que lado lhe cai o coração?

Confesso que antes de ir para o Estádio da Luz cheguei a desabafar: se isto corre mal e levamos 4-0 o miúdo vira benfiquista (tomara eu que tivessem sido só quatro, acrescento agora), mas o que ali vi foi uma criança que sem influência minha ou do avô genuinamente sofreu pela derrota do Belenenses, que genuinamente só queria ver o Belenenses ganhar: o meu filho não só não se rendeu à maioria espetacular de benfiquistas, ainda por cima a celebrarem seis golos, como chorou como eu nunca chorei, em derrotas do Belenenses. Mostrou, verdadeiramente, que é um belenense. Sorriu e gritou o nome do Jonas quando eu lhe disse que o Jonas tinha marcado dois golos (por qualquer razão o miúdo idolatra o Jonas). E, perante isto, que direito teria eu de não o apoiar na escolha?

No fim do jogo - ou melhor, quando saímos ao 6-0 - agarrei nele e disse: ouve bem o que vou dizer-te. Nós não desistimos facilmente! Quando se perde um jogo, diz-se: viva o Belém e para a próxima tenta-se fazer melhor. E segurei-o com firmeza, como se isso permitisse tornar eterno e especial aquele momento.

A caminho do carro, fui falando com ele, fui-lhe dizendo que ficámos tristes, mas que houve coisas boas, como  a mãe e o avô materno terem ficado felizes. Já no carro, continuei a tentar fazer pedagogia e reforcei a mensagem. Disse-lhe que nenhuma equipa do Mundo ganha os jogos todos, disse-lhe que perdendo ou ganhando as pessoas se mantém fortes e tentam melhorar, e que não devemos ter vergonha, disse-lhe que os jogos de futebol são apenas jogos de futebol e que o que importava é que nós homens tinhamos passado uma noite em família, jantado, ido ao futebol e divertido.

A verdade é que fiquei a roer as unhas e a torcer para ele não virar agora benfiquista...

quinta-feira, julho 30, 2015

Dos 43 anos

Belenenses a ganhar 2-1 ao Gotemburgo, eu e o meu pai nas bancadas, como nos velhos tempos da minha meninice. Uma emoção como nem sei explicar. E, de repente, uma frase dele enche-me os olhos de lágrimas. Por não me ter lembrado, por me fazer sentir tão pequenino perante todo aquele amor...
«Hoje, se fosse viva, eu e a tua mãe faríamos 43 anos de casados»

domingo, maio 31, 2015

Dos novos tempos

Fazer anos nos dias que correm é do melhor que há.
Se fores do tipo que adora receber os parabéns, partilhas os teus dados com o Facebook e deixas que os teus amigos os vejam. Recebes milhares de mensagens, centenas de SMS e dezenas de telefonemas. Passas um dia a vibrar com tamanha alegria.
Se fores do tipo (como eu) que não tem paciência para tal coisa limitas-te a omitir os dados no teu Facebook e recebes os telefonemas de meia dúzia de familiares e de três ou quatro amigos que realmente são especiais para ti.
Depois há sempre aqueles que te dizem: ah, esqueci-me, nunca me lembro. E tu sorris... O plano está a funcionar.

sábado, maio 30, 2015

42

Foste a primeira pessoa em quem pensei, mãe. Obrigado. Saudade.

segunda-feira, maio 18, 2015

Ser herói por dar um abraço

Já vi e revi vezes sem conta o vídeo da brutal agressão policial a um pai que tentava prestar assistência ao filho de 9 anos, em Guimarães, depois do jogo em que o Benfica se sagrou campeão nacional.
Procuro sempre identificar um gesto daquele homem que possa justificar o que todo o país viu graças ao sentido jornalístico de um cameraman da CMTV. Não consigo. Em momento algum deteto o instante em que o homem puxa de uma arma para desatar aos tiros, nem lhe encontro uma bomba escondida que coloque em perigo as vidas de quem por ali passa. Vejo-o, isso sim, a dar água ao filho e a gesticular de forma em que, pressinto-o, terá até ofendido verbalmente o agente. Assusta-me pensar que aquele homem levou uma tareia de bastão porque um oficial da PSP não foi capaz de controlar-se emocionalmente.
A última fronteira de todas as medidas de segurança é e será sempre a loucura humana. Se não sabíamos, fomos brutalmente relembrados aquando da tragédia com o avião da Germanwings em que um assassino descontrolado atirou para a morte as 150 pessoas que deveria transportar em segurança até Dusseldorf.
No caso do polícia de Guimarães dá-se o azar supremo de ele não ser copiloto. Era chefe, veja-se bem, e a sua autoridade não pode ser questionada no campo de batalha (sim, foi nisso que ele transformou a cena). E é por isso que por cada gesto de loucura a que assistimos temos de saber olhar para os atos de amor. A reportagem impossível é a que eu hoje gostaria de ler:_quem é o agente que apercebendo-se da atrocidade cometida pelo chefe correu a abraçar o miúdo para o impedir de ver as agressões ao pai. E o que sentiu naquele momento esse herói? As fotografias que nos chegaram nas últimas horas dizem o que ele nunca nos poderá dizer. As respostas estão nos olhos dele. Que, para nossa tranquilidade, são, ali, iguais aos de todos nós.

domingo, maio 17, 2015

o títlo do Benfica visto por um jovem belenense

- filho, o Benfica é campeão
- ohhhh (chora) eu queria que fosse o Belenenses
- (improvisa) mas o Benfica só é campeão graças ao Beém, que não deixou o Porto ganhar porque lhe marcou um golo
- eeeehhhh yeaaaahhhh o Belenenses é o maior

(as maravilhas de se ter quatro anos)

sexta-feira, maio 08, 2015

Ecologia da treta

Falta de ambição ecológica é só querer salvar meio ambiente

sábado, abril 25, 2015

Cidade sem lei

A falta de lugares para estacionar árvores dá nisto: os donos deixam-nas nos lugares das motos.

sexta-feira, abril 24, 2015

Do 'soa-me a...'

Apresento-vos o 'vés cueque que é amigo do Maquim'.

Tradução: Jeff Gorvette e McQueen

quarta-feira, abril 22, 2015

Quatro

Desde as 20 de dia 20.
Somos uma família feliz

quinta-feira, abril 16, 2015

Edipismos...

- sabes filho, gosto muito de ti. Sabias?
- sim. Eu gosto muito da mãe.

sábado, abril 11, 2015

A propósito do post anterior

E só para esclarecer: foi o toque do telefone que me acordou (ainda que não tenha atendido)

Refém em casa

Nisto das famílias, percebo agora, o mais difícil de lidar é a perda de espaço.
Cá por casa há um mês que não existo e que os meus planos não contam para nada.
Ir ao ginásio? Usar a sala? Ouvir música!? Tudo tarefas impossíveis para quem além de cuidar de uma criança de quatro anos ainda tem de cuidar do pai, cuja recuperação a uma operação prossegue calmamente.
Não me interpretem mal. Nada contra cuidar dos pais em necessidade, mas compreendam: além de tudo o que disse, sentar-me à mesa para almoçar já os outros vão a meio e antes de dar a primeira garfada ser interrompido seis vezes... So por isto, vou dormir a sesta (queria eu, que já sei que em breve serei não diria acordado, antes arrancado da cama...

terça-feira, abril 07, 2015

Inquérito de satisfação

Numa escala de zero a dez em que zero corresponde a estupidamente imbecil e dez a ligeiramente estúpido, como classificaria este post?

segunda-feira, março 30, 2015

Dias assim

Aquele dia em que um tio te faz a surpresa de mandar um tupperware com arroz de cabidela porque sabe que gostas e o teu filho deita mão ao saco, o vira e entorna tudo. Ainda por cima no chão. De alcatifa. Do carro...

segunda-feira, março 23, 2015

Pré parto dos pais

Não sei se há uma alteração hormonal ou psiquica (ou ambas) num pai antes de nascer o filho, mas sei que já devo estar pronto para a chegada da D.

Tal como aconteceu há uns anos, cerca de um mês antes de o G. nascer, ontem, já deitado, senti uma vaga de pânico percorrer-me o corpo. Da cabeça aos pés. Sensação igual. «Serei capaz? Quererei realmente isto?»

Não sei se é comum ou não, sei que a mim aconteceu das duas vezes. Igual, sem tirar nem pôr, aquele feeling do «será que fiz bem?», «será que não foi um disparate?».

domingo, março 15, 2015

Azulinha - manhã 2

A Azulinha continua a cumprir o fim de semana de turismo em casa de um aluno da sala do pré-escolar (o meu filho G.) e a manhã de hoje foi nova delícia.

- G., vai lá ver à cozinha se a Azulinha precisa de alguma coisa.
(lá foi ele, solícito, falando de modo que se ouvia no nosso quarto).
- Azulinha, estás bem? Dormiste bem? Queres comer? Precisas de alguma coisa?
- Priii, piu, prriiii, pi piu prrrrrr
- Oh, está bem...
(de novo, ouvimos os passitos em ritmo de corrida na direção do nosso quarto, esperando com naturalidade pela versão dele do sucedido. Ao entrar no quarto, o G. travou, baixou a cabeça e deixou cair os ombros, num gesto típico de desânimo).
- Então filho, que disse a azulinha?
- (com a voz triste e a arrastar-se) Oh, ela disse para eu me ir embora.

sábado, março 14, 2015

Nova Lisboa

Há anos e anos sem pinga de água e continuam a chamar-lhe Lago do Carmo...

Azulinha 'a passarita da minha escola'

A azulinha é um periquito da escola do G. e . Vai rodando as casas dos miúdos para eles se habituarem a tomar conta dele. Desta vez veio passar o fim de semana cá a casa. A manhã de hoje foi assim:
- Azulinha queres beber água!? Então queres comer? Estás a divertir-te? Ahh ainda bem que não consegues falar.
- Piu...
- Oh azulinha eu ouvi-te.
- Piu.
- Agora queres comer? Então vai lá agora.
- Piu.
- Oh azulinha eu já volto. Tem calma. Oh olha que assim vais cair do ramo.

sexta-feira, março 13, 2015

Blogger famoso (e um presente para a D.)

Ontem soube o que é isso de ser blogger influente.

À minha caixa de correio chegou esta linda lembrança para assinalar o cada vez mais próximo nascimento da D.

O valor acrescentado é que chega das mãos talentosas de uma pessoa por quem tenho grande carinho, estima, amizade, admiração. A Peruca de Tule que não fazendo vida disto bem podia fazer...

Para quem se interessa, fica o link para a sua página de FB. Aqui.

Obrigado!

segunda-feira, março 09, 2015

68 anos

A 9 de março
dia levado da breca
nasceu o Zé Miguel
completamente careca

Assim escrevia o meu avô Eduardo sobre o nascimento do meu pai em 1947, no mesmo dia em que fazia 9 anos o filho mais velho, também Eduardo de seu nome.

68 anos depois e enquanto sorrimos pelo lamento por ter falhado por um ano a conquista do único campeonato da história do Belenenses eu e o meu pai continuamos a tentar aprender o que é isso de ser-se uma família.

Desde a morte da minha mãe que passámos a ter-nos um ao outro. Desde a morte da minha mãe que passei a sentir-me mais responsável. Desde a morte da minha mãe que tento sempre - sabendo que em vão - que ele não sofra pela sua ausência. Mas também, desde a morte da minha mãe, que sentindo-me perto, me sinto brutalmente longe dele.

Desde a morte da minha mãe sinto que nada do que diga vai poder animá-lo e dou por mim, de cada vez que ele tem de ser internado por qualquer operação que faça, num silêncio do qual não sei sair. como se sentisse que diga o que disser, tudo lhe soará a fútil e a desinteressante.

Note-se que eu adoro o meu pai. Preocupo-me genuinamente com ele, mas sinto sempre que não consigo dedicar-lhe todo o tempo e atenção que ele merece. E, consequentemente, sinto-me a falhar.

Há momentos de epifania, claro. Como os sábados, em que nos reunimos para almoçar em família. Em que cozinho, acho eu, com a única preocupação de que ele goste dos pratos - como se desse gosttar, desse seu participar na confecção - dependesse todo o meu sucesso enquanto filho.

Por vezes sinto que ele se entedia na minha companhia. Mas também me sinto incapaz para alterá-lo (acho que o meu feitio é tão mais reservado quanto o grau de proximidade que sinta das pessoas com quem estou).

Há dramas mentais difíceis de compreender e este meu há de ser um deles. por certo, mas hoje quis escrever sobre ele, sobre o meu pai. Não disse o que tantas vezes pensei escrever - que ele me levava a ver jogos de futebol aos domingos de manhã, que me levava ao hóquei às sextas à noite (pouco importa se era às sextas, importa que é a minha memória), que eu adorava o cheio a tabaco de cachimbo e o sabor, que o completava, dos rebuçados de menta que comprávamos no café antes de irmos a pé até ao Restelo; que o admiro com todas as minhas forças pela forma como sozinho aguentou uma família e ainda conseguiu pagar-me uma universidade privada, mas, sobretudo, pelo amor que toda a vida teve pela minha mãe, de quem cuidava como a mais preciosa das flores, mesmo quando pareciam cão e gato.

Parabéns, pai.

PS: Acho que nunca vou conseguir dizer-lhe o que representa para mim, mas eu sinto-o e sei-o.

segunda-feira, março 02, 2015

JBL a enganar os clientes - problemas JBL Charge 2




Há dias ouvi em casa de um amigo uma coluna Bluetooth e pensei: isto é mesmo o género de coisa que dá jeito para quem quer ouvir música e não pode estar fixo numa divisão da casa.

Por achar a Bose soundlink mini carota (€199 euros) fiz uma pesquisa de mercado e encontrei na FNAC a JBL Charge 2 a € 119.

Ouvi a coluna neste vídeo, sem ler o texto que a acompanhava. Pareceu-me ter a potência certa nos graves e agudos interessantes. Coloquei-a na lista.

Como não gosto de precipitar-me, li e reli. Voltei ao vídeo, agora com mais atenção. Deparei-me então com o grave problema de distorção na JBL - que a torna insuportável (depois de ser ter ouvido pela primeira vez, nunca mais se deixa de ouvir).

Contactei o representante da JBL em Portugal e disseram-me que não tinham conhecimento de nada, tentaram enrolar-me dizendo que a Charge 1 é que tinha o problema (mentira) e no fim acabaram a ver o vídeo de Youtube que lhes indiquei por telefone.

Claro que no fim, não me resolveram o problema, não me garantiram que trocariam a coluna por uma boa, não me disseram tão pouco se iriam contactar a JBL internacional.

Posto isto, lamentavelmente não comprarei a coluna que tão interessante me parecia. A menos que consiga, garantidamente, uma unidade sem problemas. Algo que o representante não me assegura.

Posto isto, fica o aviso à navegação. Só compra quem for tolo. Ou quem, não sendo tolo, não chegar a este blogue e, consquentemente, não ler este texto.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

O euromilhões, os forretas e os convencidos

Um homem entrar numa papelaria e dizer «é um euromilhões de dois euros» é o cúmulo da forretice. Quer receber 15 milhões de euros com o esforço mínimo. Nem se dá ao trabalho de de preencher o boletim! Pior ainda seria, no entanto, entrar numa papelaria e escolher os números ele próprio, como se disses «eu cá é que sei, seus atrasados mentais». Tomem lá dois euritos, acertem nos meus números e passem para cá os milhões.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Filmes para Óscar

Pela primeira vez em vários anos conseguir ver dois filmes que podem ganhar o óscar de melhor filme.
Birdman e Grand Budapest Hotel.

Gostei dos dois, não adorei nenhum. De Birdman gostei da crueza da história, das interpretações, da ironia com Batman, da banda sonora (perfeita para o ambiente pretendido) e da forma como me incomodou deixando-me a pensar. Gostei também das personagens. Cansou-me um pouco e é daqueles que fico sem grande vontade de rever (aconteceu-me parecido com o Dancer in the Dark, com a Bjork, há uns anos).

De The Grand Budapest Hotel gostei da fotografia, gostei da forma de se contar a história, mas não senti que fosse uma grande história. Tão pouco que fosse muito original a forma de contá-la (A Vida de Pi e até Grande Peixe tinham-no feito anteriormente melhor para meu gosto).

Fico com aquele feeling que se um dos dois ganhar o óscar de melhor filme o ano foi fraquito.
Vá, venham de lá as pedras...

(a ver se ainda consigo ver o Boyhood antes dos óscares)

Picadas na barriga

G - Mãe, a D. tem picos?
Mãe - Não, filho porquê?
G - Porque tu estavas a dizer que picadas na barrirra (é assim o som de barriga naqueles quatro anos adoráveis)

domingo, fevereiro 01, 2015

Provocar um parto (metodologia científica)

Sabem como é que se provoca um parto?
Fácil.
Grita-se para a barriga vezes sem conta:
Aposto que nem és capaz de nascer; és um bebé ou um rato? Ehhh fraquinho, nem nascer consegues; ahhhh bem que posso esperar sentado, se acho que tu consegues nascer

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Agiotagem legalizada

Ou como roubar com permissão do Estado

quarta-feira, janeiro 28, 2015

sábado, janeiro 24, 2015

Do adeus

Sabes, mãe... às vezes parece-me que os dias passam e não penso em ti, mas se fizer um balanço mais atento parece-me que todos os dias te recordo. Pode ser apenas de olhar para uma fotografia; de falar de ti ao G.; de lhe contar como tu brincavas com ele; de como andavas pelo chão, de gatas, atrás dele, a segurá-lo, a empilhar as torres que ele derrubava rindo à gargalhada, vezes e vezes sem conta; de contar-lhe que quando tu e o pai chegavam a casa ele dançava ao som da música que ele próprio ligava ao carregar na cabeça do boneco que "conduzia" um camião de plástico.

Hoje, mais uma vez, lembrei-me de ti. E, sabes, mãe, fiquei com a aquela impressão de que já consigo fazê-lo com aquele sorriso de saudade boa - e depos escrevi isto e, ao escrever, lá me veio a lágrima ao olho...

quarta-feira, janeiro 21, 2015

A propósito de "autista" não ser adjectivo

Todos já teremos dito, um dia, que alguém era autista, ou se comportava como um autista, por ser teimoso, por não ouvir os outros, etc.

Pois há dias deparei-me com um texto que mudou a minha forma de relacionar-me com a palavra. E agora evangelizo, até, quem oiço dizer que alguém é autista.

Fica o desafio para os meus amigos que tiverem paciência de ler-me.

"Se os meus amigos tiverem paciência gostava que lessem este post até ao fim. Apesar da própria Assembleia da República ter abolido a utilização da palavra "autista" do truculento debate parlamentar, a verdade é que a mesma persiste em ser usada para qualificar pessoas que se estão nas tintas para as opiniões alheias e que preferem, numa determinada situação, viver isolados do mundo. Este é um conceito que cresceu durante décadas em que o desconhecimento sobre o autismo era enorme e em que se considerava que os autistas gostavam de habitar o seu 'próprio mundo'. Com a explosão do autismo nos últimos anos, o estudo foi intensificado. Tal como cada criança é uma criança, também cada autista é diferente dos restantes. Por isso, existe um largo espectro onde se mede o autismo e que tem em conta dezenas de variáveis. Todavia, questões comportamentais, dificuldades de comunicação e de relação social estão habitualmente presentes. Mas, ao contrário do que se pensava, os autistas não gostam de se isolar. Não o fazem por gosto, mas por receio. Têm dificuldades de socialização e de comunicação com um mundo que os atraí, mas que os intimida. Portanto, quando se utiliza a palavra autista para qualificar alguém não se está apenas a cometer um lapso de avaliação, mas também a ser injusto para quem tem esse problema e o quer ultrapassar. E, como em muitos outros aspectos da nossa sociedade, o preconceito é castrador, injusto e desmotivador para qualquer autista que veja o seu problema a ser utilizado como exemplo errado. Uma mentira repetida muitas vezes é absorvida como sendo verdade. E esse é um risco que os autistas não merecem correr. Quando vejo alguém utilizar essa palavra para adjectivar o comportamento de outros, procuro explicar que o conceito sofreu uma evolução nestes últimos anos. Ainda ontem me deparei com mais uma situação em que essa expressão era usada para classificar terceiros. Desta vez, não respondi. Em alternativa, optei por escrever este texto, talvez na ilusão do mesmo ser lido e absorvido. O meu filho de 8 anos é autista. Pensam que ele gosta de não compreender totalmente o mundo, de sentir cada ínfimo estímulo e todos em simultâneo e de não se encontrar à vontade em muitos aspectos que, para a maioria, são banais? Mas, se repararem nas fotografias que tenho pontualmente mostrado podem verificar que ele anseia por ultrapassar essas dificuldades. Quando alguém for teimoso não lhe chamem autista. Os autistas não têm culpa."
Texto de Luís Silva do Ó

terça-feira, janeiro 20, 2015

Contra o machismo!

Epá, sou indecente, publiquei uma foto machista!
Estou mesmo a pedi-las: ainda me calha uma manifestação à porta de casa!

Era bem feito para eu aprender!

Monty Python para Cruyff

«"Cruyff considera "incompreensível" Bola de Ouro a Cristiano Ronaldo
LUSA
19/01/2015
Antigo internacional holandês diz que o português não teve uma boa prestação no Mundial 2014.
O antigo futebolista e treinador Johan Cruyff considera "incompreensível" a atribuição da Bola de Ouro a Cristiano Ronaldo, justificando que o português não teve uma boa prestação no Mundial 2014.
Num artigo publicado no jornal holandês De Telegraaf, o antigo jogador holandês, que também conquistou três Bolas de Ouro, refere que este tipo de distinções devia ter em conta "os rendimentos individuais", mas também os "títulos de equipa".
Cruyff, vencedor do prémio em 1971, 1973 e 1974, não entende como é que nos últimos anos não se escolhem jogadores que "tenham praticado um futebol excelente e tenham conquistado títulos", referindo-se em especial aos alemães.
O antigo futebolista lembrou que o Bayern Munique conquistou quase tudo nestes dois anos e que não se teve em conta a distinção para o médio Tony Kroos (actualmente no Real Madrid) "ou qualquer outro jogador do Bayern Munique".
Johan Cruyff foi ainda mais específico, dizendo que Kroos nem sequer foi nomeado, enquanto Cristiano Ronaldo, vencedor do troféu nos dois últimos anos, "foi invisível durante o Mundial [ganho pela Alemanha]".
"Não levo a sério a eleição da FIFA", concluiu o ex-jogador.

O futebolista português, que na última época conquistou ao serviço do Real Madrid o décimo título europeu, venceu a Bola de Ouro à frente do argentino Lionel Messi e do alemão Manuel Neuer.»

JOHAN CRUYFF - O Ronaldo não fez nada de bom no ano passado!
UMA VOZ TÍMIDA - Bom, marcou 17 golos na Liga dos Campeões e bateu o recorde da competição.
JOHAN CRUYFF - Tirando os 17 golos e recorde da Liga dos Campeões, o que é o que o Ronaldo fez de bom no ano passado?
UMA VOZ TÍMIDA - Ajudou o Real Madrid a ganhar a Liga dos Campeões, depois de ser importante na goleada ao Bayern Munique, fora de casa...
JOHAN CRUYFF - Tirando os 17 golos e recorde da Liga dos Campeões e ter ajudado o Real Madrid a ganhar, depois de ser importante na goleada ao Bayern Munique, fora de casa..., o que é o que o Ronaldo fez de bom no ano passado?
UMA VOZ TÍMIDA - Foi bota de ouro europeu, depois de ter marcado 31 golos no campeonato espanhol.
JOHAN CRUYFF - Tirando os 17 golos e recorde da Liga dos Campeões, ter ajudado o Real Madrid a ganhar, depois de ser importante na goleada ao Bayern Munique, fora de casa e ter sido bota de ouro europeu com 31 golos na liga espanhola.., o que é o que o Ronaldo fez de bom no ano passado?
UMA VOZ TÍMIDA - Ganhou a Taça de Espanha...
JOHAN CRUYFF - Tirando os 17 golos e recorde da Liga dos Campeões, ter ajudado o Real Madrid a ganhar, depois de ser importante na goleada ao Bayern Munique, fora de casa, ter sido bota de ouro europeu com 31 golos na liga espanhola e ter ganho a Taça de Espanha, o que é o que o Ronaldo fez de bom no ano passado?
UMA VOZ TÍMIDA - Praticamente sozinho eliminou a Suécia no play-off de apuramento para o Mundial
JOHAN CRUYFF - Hmmm, o play-off? Calem-se!

PS: Se não tivesse conquistado a Bola de Ouro nem teríamos dado por ele...

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Prémio-esta-neve-não-vinha-mesmo-nada-a-calhar

Da agência Lusa:

 "A Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP) adiou a celebração do Dia Mundial da Neve, agendada para domingo, na Serra da Estrela, por acesso ao topo da montanha não estar garantido"

quinta-feira, janeiro 15, 2015

A tática comercial "alguma há de pegar"

'Aparelho auditivo completamente GRÁTIS | 2 Noites em Bungalow | Leitor USB'

O melhor email comercial de sempre? Naquela de ouves mal? Tomas lá um aparelho; se não ouves mal talvez sejas novo, então dá lá um saltinho a um bungalow de preferência com uma miúda gira; se o conceito de passar duas noites num bungalow com uma brasa não te diz nada, então toma lá um leitor USB, oh meu geek da treta!

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Completar frases aos três anos e qualquer coisa

- G a Suíça é a terra dos cho...
- Chupas...

quarta-feira, janeiro 07, 2015


segunda-feira, janeiro 05, 2015

Petição para os reclusos limparem as matas nacionais


Olhar para isto com humor: os reclusos tinham de ir com grilhões para não fugirem

Olhar para isto com preocupação: que país é este em que já não queremos criar empregos e pagar pelo trabalho?

Estacionamentos e superpoderes


Pode soar a desperdício, mas não raras vezes penso que se me fosse dado a escolher um superpoder talvez optasse pela possibilidade de com a mente fazer levitar objetos. Poderia utilizá-lo para salvar vidas, mas desconfio que do que gostaria mesmo era de rearrumar carros que ocupam dois lugares. Iria divertir-me tanto... (reticências propositadas)

sábado, janeiro 03, 2015

Eu, cozinheiro

E não é que é mesmo fácil fazer um delicioso cozido à portuguesa?

sábado, dezembro 27, 2014

Lidar com as saudades

Às vezes penso que sou de ferro, que sou um insensível que tantas e tantas vezes nem consegue sentir o pulsar de um dia, quanto mais o da morte da mãe.

Depois vem o dia em que faz dois anos, e o momento de quebra. Sem qualquer responsabilidade, ocorreu pelas 17 horas, quando, a brincar o meu filho me acertou com uma palmada forte na cabeça.

Lembro-me de olhar para ele, ele para mim, de nem lhe ter ralhado. De querer dizer-lhe que tinha batido com força e que isso não se fazia, mas de não conseguir soltar palavra.

Foi esse o momento em que se esvaiu de mim a energia que me tem mantido sereno, aparentemente desligado, ao longo deste segundo ano. Agora sim, passou o segundo ano. No primeiro sofri muito todos os dias. A toda a hora. No segundo passei quase ao lado, como que a compensar-me pela perda. Entrámos no terceiro, e agora?

PS: durante o dia, muitas pessoas de quem gosto quiseram telefonar-me, mandaram sms, etc. Senti-me como se fizesse anos alguém e me quisessem dar os parabéns. Bem sei que não era o caso, mas senti-me desconfortável. Talvez, pensando bem, porque me fizeram sentir que era verdade. E eu talvez precise mesmo disso...

terça-feira, dezembro 23, 2014

Vai ser uma mana...

Eu e a S. decidimos conferir alguma solenidade ao acto de informar o G. de que o resultado da ecografia morfológica confirmou aquilo de que já vinhamos suspeitando: que o bebé que lá vem é uma menina.

Como quem não quer a coisa, a S. veio ter comigo perto do meu trabalho e levámo-lo ao "cóscurante da menina" que é nem mais nem menos que um H3 onde ele fez amizade com uma das empregadas (uma cena deliciosa, diga-se).

Sentado à mesa, entre uma dentada num croquete e um disparate, lá decidimos levar a cabo o plano.

S -  Sabes, G, eu e o pai fomos ao doutor da mamã
G - Fomos?
S - Não, eu e o papá é que fomos, tu não.
Eu - E sabes o que é que o doutor disse?
G - Sim.
S e Eu - Sim? O quê?
G - (Silêncio)
S - Bom, o doutor esteve a ver o bebé na televisão e disse que é uma menina. Vais ter uma mana. E vai chamar-se D.
G - (silêncio; boca aberta, sustém a respiração durante cinco segundos, depois de o lábio de baixo tremer como se fosse chorar) Mmm, mm, mas eu vou ter um mano chamado Vasco!


Depois de lhe explicarmos que não, que na barriga da mãe estava apenas a D, lá se convenceu. Ainda assim, lá lhe sai volta e meia a pergunta de algibeira: «A D. está na barriga da mãe, mas onde está o meu mano Vasco?»

sábado, dezembro 20, 2014

A voz

Quando a minha mãe morreu, está quase a fazer dois anos, tive uma preocupação daquelas tolas, que só tem quem perde os que ama.

E se um dia esquecesse a sua voz? Gravei-a, pois, para me assegurar de que tal não aconteceria. Tenho no meu email, para nunca perder, o ficheiro de som com a única voz que dela podia, então, ouvir. "Fala a Zé. De momento não posso atender. Deixe mensagem."

Das primeiras vezes que ouvi chorei. Descontrolado, talvez. Gravá-la, aliás, já foi sinal de descontrolo, diria hoje. Mas, raios, quem quer controlar-se depois de perder a mãe?
Contei-o à S. e ela disse-me que não precisava. Que não esquecia a voz dela. E que eu também não esqueceria. Eu tinha esse receio, sim. Mas hoje apercebi-me de que a S. estava certa.

A voz que ouvi era igual à que oiço tantas vezes no silêncio quando quero recordar a minha mãe, O texto, esse, é que é sempre o mesmo. Talvez por ser o que tenho à mão.

Dia 26 assinala-se o segundo aniversário da partida dela. Não consigo escrever "celebra-se", ainda que a alma dela esteja, por certo, na paz que mais desejou.

A saudade hoje é diferente da que sempre imaginei. Confesso que já não sinto desespero. Lembro-me muito dela, sim, emociono-me por ir, agora, ter uma filha e ela não a conhecer. Mais ainda por a minha S. viver (pela segunda vez) este mesmo vazio.

Às vezes nem sei bem o que sinto, se sinto, como sinto. E no entanto, a voz é sempre tão igual como a memória que dela tenho. Tão viva. Imagino-a no corredor a brincar com o G. Vejo-a, sei como seria. Como iria à exaustão. Imagino-a na maternidade, quando nascer a D. a pegar-lhe ao colo horas a fio. Uma menina para sua avó.

E a voz sempre tão viva na minha cabeça. E a falta de coragem para apagar o ficheiro. E se um dia me esquecer mesmo da voz dela?

terça-feira, dezembro 02, 2014

Marketing para totós

Há mês e meio pedi orçamentos a vários ginásios.
Um deles, do grupo Holmes Place, que me agradou, queria cobrar-me nos dois primeiros meses mais de 70 euros.

Optei por outro, com o qual estou satisfeito.
Hoje recebi um sms do tal HPba dizer que tem uma campanha em que cada um dos dois primeiros meses sai a 15 euros.

Que giro, muita coisa mudou. A principal das quais que eu já estou inscrito noutro ginásio onde me sinto bem.

Ontem ainda recebi um telefonema do Meo. Queriam falar-me das vantagens de comprar um telemovel qualquer com os pontos acumulados.
Lá lhes expliquei que sou informado e que se quiser um dos telemóveis que vendem consigo comprá-lo mais barato sem ajuda deles e sem gastar pontos.

Às vezes acho que a malta que pensa as promoções pensa que somos todos burros...

sábado, novembro 29, 2014

Sofrer sem rádio

Não ter relato, apenas um telefone com internet e uma aplicação que sinaliza os golos. E em silêncio passar 90 minutos a ver se temos rede. Sofrer é isto.